Jereco do Pandeiro e os 40 tocadores de cuíca no fantástico mundo das Amazonas.
Jereco nasce pobre no sertão nordestino. Fugindo de malvados cobradores de prestações das Casas Bahia, a família de Jereco migra para o Rio de Janeiro quando este ainda era uma criança. Perambulando pela orla carioca atrás de trabalho, o pequeno garoto começa a vender bronzeadores e churrasquinhos de gatos, que ele mesmo matava de rir contando piadas sobre cachorros.
Certa manhã de domingo, ao vender o kit completo (bronzeador + espalhamento nas costas) a uma morena bunduda na praia do Pepino, Jereco pela primeira vez pegou em uma bunda dura e malhada e, descobrindo sua vocação natural para a música, percebeu que dali podia tirar um som. Batucando na bunda da morena e apertando uma embalagem de Cenoura e Bronze vazia, executou o Bolero de Ravel em ritmo de samba e colocou a praia para dançar. Em pouco tempo, mulheres de bunda malhada de todo o Rio de Janeiro o procuravam para que ele batucasse pérolas do cancioneiro popular em suas regiões glúteas.
Lançou seu primeiro CD de covers de Ray Coniff de forma independente e conseguiu relativo sucesso, emplacando inclusive algumas faixas nas rádios. Virou ídolo da torcida do Flamengo quando Eurico Miranda o procurou para que executasse o hino do Vasco na sua bunda. Jereco, rubro-negro doente, ao invés de batucar o pedido do dirigente vascaíno, espancou seu rabo a tapas, obrigando Eurico a assistir um clássico no Maracanã de quatro, devido a sua impossibilidade de sentar. Na torcida do Flamengo, Jereco foi responsável pela composição de gritos famosos, como “ah, eu tô maluco!”, “Uh! Tererê!”, “Ei, juiz, vai tomar no cu!” e “opa, cadê minha carteira?!”.
Já famoso, o artista inspirou a criação do quadro “A semana do presidente” no SBT, após batucar brasileirinho nos fundos do presidente João Figueiredo. Maravilhado com aquele talento, Sílvio Santos resolveu criar “A semana de Jereco”, relatando que bundas Jereco andava batucando por aí. Enciumado, o último presidente milico mandou trocar o título do programete para “A semana do presidente” se não baixava o cacete em todo mundo.
Sabe-se que Pandeiro lançou mais de 45 discos. Não se tem o número exato de seus registros, pois muitos foram perdidos no shopping, alguns se afogaram na praia e outros saíram para comprar cigarro sem jamais retornar. Estima-se em cerca de cinco mil o número de bundas onde Jereco tocou, entre elas, muitas famosas, como as bundas de Pelé, Naomi Campbell, Dione Warwick, Karol Wojtyla, Ilze Scamparini e Tina do Big Brother.
Jereco ou Jerê da mão-boba, como os amigos o chamavam carinhosamente, morreu ontem, sem jamais ter conhecido os 40 tocadores de cuíca e nunca ter visitado o fantástico mundo das Amazonas, mas sabendo que este título para sua biografia poderia gerar um ótimo nome de enredo de escola de samba.

A cuíca é um dos melhores instrumentos de duplo sentido para a elaboração de piadas infames. O clique de outros carnavais é de Messias Jardan.
Esse cara da ponta, à direita, parece muito com o Marcelo Camelo…