O Diário de Dulce Skatistinha: 07 fev


Dulce Skatistinha em clique ninfomaníaco de Messias Jardan

Mossoró (RN) – Dulce Skatistinha, à primeira vista, é como qualquer jovem de sua idade. Gosta de tomar sol, é fã do Big Brother e coleciona pôsteres do Fábio Assunção. Nos finais de semana, passeia nos shoppings da cidade e vai a shows de forró. “Gosto tanto de dançar que um dia ainda aprendo”, explica Dulce. Pouca gente sabe que Dulce Skatistinha é apenas o nome artístico de Patrícia, cuja profissão a obriga a se manter anônima. Seu drama nasceu de problemas familiares. “Na minha festa de 15 anos, meu pai prometeu chamar o Fábio Assunção pra dançar a valsa. Contratou um sósia do Mocotó. Fugi de casa e fui ganhar a vida nas ruas”, conta Patrícia, que nunca perdoou o pai pela brincadeira de mau gosto.

A vida de prostitutas de classe média nunca esteve tão em evidência. Livros e revistas se renderam aos encantos de garotas de programa que revelam a intimidade de sua profissão com riqueza de detalhes da internet. Dulce, que diz sempre ter sido vanguardista, garante que é precursora na arte de relatar as aventuras do mundo da prostituição. “Muito antes dessa tal Bruna Surfistinha fazer sucesso, eu já tinha um blog. Só que ninguém lia”, pondera. A convite do Ressaca Moral, um site que não discrimina nenhuma profissão e precisa desesperadamente de audiência, Dulce Skatistinha comanda a partir de hoje a ousada coluna que leva seu nome e promete relatar “sem um pingo de vergonha” o duro cotidiano das prostitutas ricas e bem-sucedidas. “Um dia ainda vou ser uma”, promete Dulce, que no último mês teve prejuízo de cerca de dois mil reais se prostituindo e ainda quebrou um braço.

21:15 Acabou a novela. Começo a me arrumar pra sair de casa. Estou tensa; a vida fácil pode ser também emocionante. Como acontece com um amigo, Itamar, que leva pedrada e implora por spray de pimenta no rabo quando aguarda nas esquinas. Itamar, ou Shammahrah, teria ido longe se não tivesse feito a operação de troca de sexo duas vezes, após esquecer que havia se submetido à primeira. Ele diz que se prepara para mais uma cirurgia, mas jura que, dessa vez, não vai trocar de sexo.

22:50 Ligo para Itamar. Ele ainda não voltou do salão. Na certa, está ouvindo aborrecimentos de alguma cliente. Eu fico preocupada, porque meu amigo já responde por dois homicídios, mas vai dar tudo certo.

23:05 Itamar me liga, ofegante. Havia ido ao médico retirar um tubo de desodorante Axe que se escondeu perigosamente em seu corpo. “Já estou bem”, garantiu, enquanto peidava. Tomo um banho e tento limpar minhas feridas.

23:15 Vou pra rua atrás de macho. Cansada, sento num banco. Com um graveto, faço um poema no chão de areia. Um homem de meia-idade, cabelos grisalhos e covinha no queixo lê e se aproxima. Ele me dá um tapa na nuca e me explica que çonho se escreve com s. Respondo que, se o çonho é meu, çonho como quiser. Levo outro tapa, na orelha, grito horrores, mostro a que vim, eu sou mulher! Acordo com o queixo dolorido e me recomponho.

0h00 Como que um presente dos deuses, à meia-noite, vejo na penumbra o vulto de meu primeiro cliente. Mas é Baltazar, O Mendigo, a lenda. Dizem que engoliu dois sapos mortos em uma noite de fome, mas na verdade só havia perdido a escova de dentes. Itamar se atira sobre ele. Mais uma vez, sairá no prejuízo.

3h00 Jogando cobrinha em meu celular, percebo que três horas já se passaram e Itamar ainda não voltou. Preocupada com meu amigo, fiquei também sem meus clientes. Justo hoje, que eu comprei meu desodorante novo da Portuguesa de Desportos, meu time do coração. Volto para casa. Deixo Itamar com suas manias apaixonadas e sua história de amor com Baltazar. Um dia eles se casam, no civil ou no viaduto.

Paulo e Rafael Guedes

9 Responses to “O Diário de Dulce Skatistinha: 07 fev”

  1. Leandro Ravaglia says:

    Çonhar não custa nada!

  2. Miguel says:

    Alem do compo empirico gostaria de reseber mais comentario desti estudo de desenvolvimento pessoal,

  3. tania says:

    estraordinario adorei!!!

  4. edilson abreu says:

    o mundo é assim

  5. edilson abreu says:

    o mundo é assim

  6. Michel says:

    Caralho, me caguei de rir! Hilário, hilário!

  7. O Gramatólogo says:

    Amiga da Dayse:

    Parabéns!, só você sabe escrever “a fim” separado!

  8. A amiga da Dayse Skatistinha says:

    Olha, eu vou dizer uma coisa pra vocês, convivo com a Dayse desde os tempos de colégio, quando ainda éramos duas garotinhas de apenas 8 anos, internas num colégio de freiras. Toda essa história de garota de programa, assim como a da Surfistinha, é puro marketing. Tudo auto-promoção. Aliás, a Dayse é virgem até hoje, nunca passou de uns amassos na escada do prédio com os poucos namorados que teve. Mas como está a fim de juntar dinheiro pra bancar uma viagem para a Disneylândia (seu sonho é ver o Mickey de perto e entrar no castelo da Cinderela) aproveitou o sucesso da outra tatuada que lançou o livro e está atrás de alguns minutos de fama.

  9. Randy Rodrigues says:

    tenho um interesse especial na vida destas mulheres que vendem o seu corpo muitas vezes por necessidade outras vezes por pura falta de carinho, o fato é que no caso da bruna um detalhe me chama muito atenção o seu codinome “surfistinha” já da pistas que sua vida não foi tão trágica como ela mesma revela em seu diário,por falta de oportunidades.folheando a ultima e derradeira edição da revista FLUIR de 2001 dei uma olhada no ranking da associação mundial WSC e pude constatar que esta menina estava em terceiro lugar no mundo e muito bem cotada para levar a coroa de rainha das praias em pipeline fato que me deixou bastante intrigado.O que leva uma pessoa a sair de um mundo de glamour e saúde.sim! porque esporte é saúde! E se jogar no violento submundo da prostituição.Leio agora o caso desta outra garota e pergunto a fonte se dulce anda de skate?.
    desde já agradeço e um abraço a todos do ressaca.

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