Uma loira de salto agulha desliza no salão. Ela dança com um, dois, quatro, oito caras e nós perdemos a conta de quanta gente enlaçou sua cintura. E tão logo os Mestres da Guitarrada se despedem do pequeno público, ela e tantas outras mulheres – coroas, lobas e doces ninfetas – se apinham em frente ao palco. A entrada de Reginaldo Rossi na casa de shows Metrópole CIty Hall, em Belém, causa uma breve histeria, uma divertida encenação da mais absurda tietagem para o rei do brega.
“Uma vez o Roberto me disse que só dois artistas não precisavam botar periquita no palco para fazer show. Um deles sou eu. O outro se chama Reginaldo Rossi.” Modéstia é bobagem para o cara que a cada hit – não faltaram “A raposa e as uvas”, “Leviana” e “A Marionete” (Les Marionettes) – contava sobre os seus melhores dons com o sexo oposto e dava dicas aos cornos de toda estirpe. Com a didática do melhor conquistador de boteco, ensinou as mulheres a serem damas na sociedade e devassas na cama. Revelou ao mundo que todos os homens são safados – nem ele é a exceção -, mas que podem dar a vida por um grande amor. De casaco aberto e barriga à mostra, deu uma canja de “Satisfaction” para a galera do rock’n’roll, de “Só você” para os apaixonados e distribuiu muita dor de corno para todos os lados.
Surpreende que a Metrópole tenha tido um público tão pequeno para um show tão inspirador. De figura escrachada do brega ultrapopular dos anos 70, Reginaldo Rossi tornou-se personagem maior de uma música que se mantém viva nos bailes da saudade. Joga todo o tempo com a humildade e dedica músicas aos faxineiros que limparam a casa antes do show. Bom para quem foi. Os milhares de fãs que não se aventuraram a deixar suas poltronas num domingo à noite para ir ao show devem estar amargando seu arrependimento. Na mesa do bar.

“Os homens de Belém tem um pau desse tamanho.” NInguém perguntou a Reginaldo Rossi como ele sabe disso. Messias Jardan fez o envergonhado clique.
eu adoro as musicas
do reginaldo rose
Rafael,
Eu citei este seu post sobre Reginaldo Rossi lá no meu blog Contos Bregas.
Parabéns pelo seu blog e viva ao brega!
Sds,
Thiago de Góes