Almoço todos os dias no mesmo lugar: um restaurante por quilo metido a besta ao lado do meu trabalho e que aceita meus tíquetes-refeição. Localizado em Nazaré, supostamente um dos bairros mais nobres de Belém, sua clientela é formada basicamente pelas classes A e B. Embora um pouco caro, a comida é honesta, mesmo que não seja brilhante e não apresente grandes novidades. Na verdade, pode-se dizer que ela quebra o galho numa boa.
Como se trata de um restaurante sem personalidade, que serve de reminiscências da cozinha italiana à comida típica paraense, a decoração é genérica e sem charme algum. E o mais engraçado de tudo: o som ambiente parece ser controlado por um esquizofrênico. Ora toca-se a trilha de ‘O Fantasma da Ópera’, ora um disco do Calcinha Preta. Ou então uma música dos Detonautas seguida de ‘New York, New York’ versão teclado de churrascaria. Um detalhe que passa desapercebido ou é ignorado pelos clientes, que se comportam e comem como se estivessem em um restaurante de luxo.
É interessante ver que, na falta de lugares realmente vips, o paraense toma por sofisticado qualquer coisa que tenha pintura salmão, um prato que não seja redondo e demais frescuras decorativas, ainda que eles não passem de bufês por quilo ou mesmo franquias de praça de alimentação de shopping center. O tipo de lugar que em cidades onde existe uma elite financeira de verdade e estabelecimentos comerciais realmente exclusivos – como o Masa, de Nova Iorque, onde um prato custa cerca de mil dólares – seria apenas um restaurante comum.
A moda do sushi é um exemplo disso. Há alguns meses me surpreendi ao ler um colunista local comemorar o fato de que a cozinha japonesa estava na moda entre a ‘galera vip’ de Belém e mesmo quem odiava sushi acabou aderindo só para não ficar fora da onda. Agora vejam só: o sujeito se dispõe a por um pedaço de salmão gelado goela abaixo só porque alguém disse para ele que isso era legal. Como se comer peixe cru com arroz, ainda que num quiosque de supermercado, fosse sinal de sofisticação. Acreditem: aqui em Belém é.
Nessa história toda, o que mais me espanta é que o cara que freqüenta os restaurantes e come sushi, ainda que tenha nojo de atum e salmão crus, é o mesmo que, depois, acaba suas noitadas de final de semana nas barracas de cachorro quente da cidade, que mal têm espaço para comportar tantos carros de luxo. São os papéis sujos de maionese e ketchup jogados pelo chão, os restos de pão na calçada, os meninos de rua pedindo dinheiro e a gordura escorrendo pelo braço enquanto o sujeito abocanha um x-tudo que revelam a verdadeira cara da nossaburguesia. Confusa em seu senso de valores e divertidamente brega.

Para Messias Jardan, retratista e mestre-cuca do Ressaca Moral, nada melhor do que um almoço no Pindaíba’s. “Meu preto, pede ovo cozido com recheio de ovo de codorna. É o que há”, explica Jardan, não por coincidência o autor desse click.
Belenzinho e Nakara
Quem de vocês pode me emprestar um dinheiro? Quero ir embora.
Namastê,
Dr. Heinfield Luz e Sol, Maria
o fdp que disse que Belém eh uma merda, ao menos teve a noção de se mandar. neh nakara?
Falow
o cara falou e disse, mas o mesmo cara q escreve isso, e eu aposto nisso, é o mesmo babaca q faz as mesmas coisas q tanto condena, sabe pq? pq ele mora na merda dessa cidade q ele tanto fala mal, mas num vai embora, entaum te manda…
caraio… belem eh uma merda mesmo. morei la 6 meses. no meu blog tem varias menções a belem. o melhor restaurante q eu fui foi o açai biruta.. la tem uma variedade de peixe inacreditavel. desde piranha a bacalhau! ehehehehehehe