Bandas politicamente corretas que não deram certo

Por Paulo Guedes & Rafael Guedes

The Ianomâmis - A primeira banda indie indígena tem formação multiétnica – cada integrante vem de uma tribo diferente. Akerê (vocal), U’hunrú (guitarra, zarabatana), Kurumã (baixo, chocalho), Ybity-Exá (bateria, curimbó) e Jefferson (filmadora) alcançaram sucesso instantâneo no final dos anos 90, quando fechavam rodovias no Norte do País para protestar contra a falta de verbas para invadir terras improdutivas. Hits como “Yumamamanãa Ko Toteruaçu” (“Sting, vai procurar tua turma”) e a divertida “Uyumarãka Nhe’engatu” (“Vovô aposentou o arco-e-flecha”) levaram platéias ao delírio em shows que invariavelmente terminavam com o sacrifício de um curumim para o Deus Sol. No início da década, a banda mergulhou em uma sombria atmosfera de alcoolismo e drogas como a ayahuasca e o caroço de jerimum. A experiência transcendental deu origem a “H’uananaã” (“O lado preto da lua”), primeiro e último álbum conceitual dos Ianomâmis. Executado sobre o filme “O Mágico de Oz”, o disco revela a receita da farinha de tapioca. O grupo encerrou as atividades pouco depois de gravar o disco por não conseguir pagar em dia os carnês do ECAD, do Ibama e da Funai.

Cansei de Ser Explorada - Sete simpáticas mães paulistanas fundaram a banda para cantar as angústias de trabalhar fora, limpar a casa, cuidar dos filhos e ainda ter tempo para seus maridos. Formado por Estela (vocal e roupas), Edilene (guitarra e almoço), Elizete (baixo e baralho), Marli (bateria e passeios no domingo), Dona Sônia, Rosângela e Fátima (backing vocals, reuniões de pais), o septeto inovou subindo aos palcos sem jamais ter ensaiado. “Nunca tivemos tempo”, explica a líder Estela. Seus shows tinham duração máxima de quinze minutos, porque as integrantes ainda precisavam pegar dois ônibus e um metrô pra voltar pra casa. Fátima revela curiosos bastidores do clipe de “Panela de Pressão”, hit em que protestam contra a correria do dia-a-dia: “Aquele feijão que aparece era de verdade. Quando acabou a gravação do clipe levei pros meus filhos comerem. Tava todo queimado, meu marido armou uma confusão”, diverte-se. O ritmo frenético do mainstream acabou por decretar o fim da banda: as mamães roqueiras vinham se sentindo cada vez mais exploradas pelo circuito do rock’n'roll.

Renato e Seus Green Peaces - Quem disse que amor não combina com devastação, sequestro de carbono e efeito estufa? Embalados pelo derretimento das calotas polares e com um discurso engajado, os caras do Renato e Seus Green Peaces chamaram a atenção da comunidade mundial para o fato de serem muito chatos. Realizado a bordo de um helicóptero alvo de bombardeios de uma empresa produtora de soja da Amazônia, o primeiro show da banda virou hit na Polícia Federal, que prendeu todo mundo e utilizou métodos práticos de fazer falar a verdade.

E na semana que vem!

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Presidente do Txutxucarramães, maior fã clube do The Ianomâmis, Ynhangerê ameaçou devorar a cabeça de um pássaro dócil e visivelmente entediado durante apresentação da banda na reserva Xingu, caso o grupo fosse realmente terminar por falta de grana. Desesperado, Ynhangerê vendeu uma picape e doze aparelhos de DVD que mantinha em sua oca e doou todo o dinheiro para os músicos. Poucos dias depois, os integrantes se mudaram para a casa de praia de Sting. O clique inconsolável é de Messias Jardan.

2 Responses to “Bandas politicamente corretas que não deram certo”

  1. Rafael says:

    Tipo, um misto de Teatro Mágico, Los Hermanos e Dave Matthews band?

  2. Rachel says:

    Ou então a banda Super 8, de estudantes de Cinema da USP. Eles fariam letras sobre Godard e Glauber Rocha e discutiriam a presença maciça de produções hollywoodianas americanóides nas salas brasileiras. Seriam totalmente contrários a produções de apelo pop, como CDD e TdE.
    Obviamente as letras seriam em inglês.

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