C.Bandeco*
Fui surpreendido ontem pela manhã por um pacote dos correios. Não me lembro de ter feito nenhuma encomenda, mas a caixa me deixou curioso. Dentro dela, um radinho sem alto-falantes e um folhetinho sugerindo pra que eu ouvisse a nova obra de Maria Rita dentro daquele aparelhinho. Não pude ouvir o disco da moça pois só escuto rádio no meu velho Philco Transglobe. Entreguei o radinho para o Rosivaldo, porteiro aqui do prédio, que adora abrir aparelhos eletrônicos pra ver como funcionam.
Rosivaldo foi um cara valente e ouviu o disco de Maria Rita. Quando ele conversou comigo sobre o assunto, fiquei satisfeito por ter ficado longe daquilo. Maria Rita deve ser a ovelha negra de Elis Regina — que não funcionou como cantora e transmitiu à filha o gene do fracasso. Em “Segundo”, Maria Rita insiste na fórmula que não deu certo no primeiro: melodias chatas e letras compostas por Marcelo Camelo. Música para anestesiar hipopótamo.
Quanto mais ouço falar em Maria Rita, mais irritado eu fico. Se algo faz sentido em seu trabalho, é o nome do disco. Um mero segundo é quanto dura a paciência de quem se arrisca a ouvi-lo.
Nota: zero.
* Cruzmaltino Bandeco tem 53 anos e é crítico de música e cinema há 22. Publicou, nos anos 70, diversas reportagens sobre as pornochanchadas que não pôde assistir. É autor de quatro ensaios sobre o prêmio “Kikito de Ouro” e do livro de contos “Memórias do Mercadinho”. Sofre abusos sexuais de seu tio Milton Osvaldo desde a adolescência.