Archive for the ‘Paulo Guedes’ Category

Um dia na vida de um blogueiro angustiado

Tuesday, September 2nd, 2008

10:23 – O blogueiro lê seus feeds para caçar os assuntos quentes do momento.

10:40 – O blogueiro analisa as passagens mais baratas para o Mossoró Camp – Encontro de Blogueiros de Mossoró (RN). Bem-humorado, tuíta pra Bia que acabou de ser assaltado – a passagem está custando R$ 783.

10:57 – Envolvido com uma série de projetos pessoais, o blogueiro percebe que há muito não escreve em seu blog. Preocupa-se e viola as próprias regras, desligando o seriado no canal a cabo.

11:24 – Mesmo sem postar há 18 dias, o blogueiro mantém o ritual diário de checar o Analytics para conferir seus acessos. Desespera-se ao perceber que o número de visitantes despencou de 18 para 9 por dia.

12:45 – Depois de assistir ao Globo Esporte, o blogueiro conclui uma fotomontagem de si mesmo muito divertida com o Batman, mas ele não se sente bem e teme que seus leitores sintam mágoa e até mesmo raiva pelo fato de não estar postando nada.

13:52 – O blogueiro acha um vídeo engraçadíssimo de um cara vestido de Homer arrotando na cara da caixa do supermercado. Escreve um post imenso de dois parágrafos em que fala de como gostava de Simpsons e da influência do desenho na cultura pop, tudo como desculpa para postar o vídeo. Na hora de apertar o botão de publicação ele descobre que #HomerArrotando foi o hit do dia anterior no Twitter.

14:26 – Procurando manter a calma, o blogueiro se recompõe do desmaio e tenta descobrir nuances do vídeo ainda não exploradas, ao mesmo tempo, joga no Twitter uma mensagem dizendo que não achou o vídeo tão legal assim – e que, pior, ele pode ser fake.

14:38 – Uma bomba, porém, lhe tira os brios: seu nome definitivamente não está na lista dos blogueiros selecionados para uma ação de uma empresa de telefonia que vai levar a blogosfera para um passeio de helicóptero sobre Garrafão do Norte (PA) e Crato (CE), com direito a duas cabras para levar para casa.

15:18 – Tentando se refazer, o blogueiro lê um post do Pedro Dória explicando o outro lado da questão palestina. Pensa então em escrever um texto contando a verdade por trás de tudo e que, nos dois lados, existem radicais e pessoas que querem a paz. Esquece do assunto depois de se perder buscando camisetas descoladas em sites gringos.

15:22 – Após zapear a TV e rever pela oitava vez ‘Alta Fidelidade’, o blogueiro decide fazer uma lista sarcástica e com uma dose inteligente de machismo. Começa a escrever “As dez vocalistas de quem eu levaria um fio terra”.

15:28 – A lista é abandonada após o blogueiro temer não ser compreendido em sua ironia.

15:36 – O blogueiro se impressiona com a campanha de Barack Obama. “Ele sabe usar a internet”, arremata.

15:51 – Um antigo post, “Banco Imobiliário da Blogosfera” ,é descoberto pelo blogueiro. Ele pensa em criar então a coleção “Maços de Cigarro da Blogosfera” para lembrar o dia do combate ao cigarro…que já aconteceu.

15:59 – O blogueiro descobre um novo serviço, o Plip®, que permite fazer microblog diretamente para o Orkut utilizando o celular em um canal de IRC. Posta algo sobre o assunto e rapidamente tuíta a novidade para os amigos.

16:23 – Após receber o 17º e-mail requisitando amizade no Plip®, o blogueiro faz um novo post condenando o serviço.

17:40 – O blogueiro descobre um novo serviço, o Trip®, muito melhor que o Plip® porque, além de permitir fazer microblog diretamente para o Orkut utilizando o celular em um canal de IRC, também permite formar comunidades. “É a web 3.0 cada vez mais próxima”, sentencia.

17:52 – Faz um update em seu último post. Provocante, vaticina: “Começa a contagem regressiva para o Google tomar conta do mercado de microblogs que unem celular e IRC. Você duvida?”

18:22 – O blogueiro cancela sua conta no Orkut, mas se recusa a chamar isso de orkuticídio. “Orkuticído é tão 2005″, brinca.

18:25 – O blogueiro cria uma nova conta no Orkut. “Ok, eu admito, não sei ficar longe da web”, posta.

19:11 – O blogueiro publica um texto de dois parágrafos reclamando da mania que as pessoas têm de achar que a blogosfera é uma panelinha. Termina o texto com “Ok, já escrevi demais. Desculpem o texto longo, mas queria fazer vocês refletirem”.

blogueiro_angustiado1

Fazendo pirraça, em seu último post o blogueiro fala sobre as vantagens de ser blogueiro: trabalha a hora que quer, ganha mais que você e pega a mulher que preferir. Ilustra o post com uma foto de perfil, dele mesmo, ao lado do computador. O clique é do fotógrafo preferido de 10 entre 7 celebridades da blogosfera, Messias Jardan.

Gays no exército: Betão nega homofobia

Wednesday, June 11th, 2008

Nas paredes descascadas de sua sala de acesso restrito, um pôster do Guarani, a imagem de Nossa Senhora e um antigo recorte de revista, com a foto de um másculo Nuno Leal Maia com uma prancha de surf em Saquarema. O retrato, que por tantos anos depôs contra a sexualidade do delegado Maria Bethânia, o Betão, nas conversas de corredor da 26ª DP, hoje lhe serve de aliado quando tenta se defender das acusações de preconceito que ganharam a mídia após o caso dos sargentos gays. Ao lado de Jussara, o fuzil AR-15 que não discrimina ninguém e atira para todos os lados, Betão é porta-voz do movimento que pretende calar os que questionam o trabalho da Lei.

Suspeitas de preconceito sempre pairaram sobre a 26ª DP. Nos últimos anos, quatro cabos e um faxineiro foram exonerados após saírem do armário. O delegado garante que os demitiu por questões profissionais, embora dois dos cabos tenham acusado Betão de assédio sexual. “Depois que assumi minha homossexualidade, [o delegado] passou a dormir todas as noites no meu alojamento”, garante um deles, que não quer ter o nome revelado. “Ele se sentava ao pé da minha cama e ficava alisando o cabo da Jussara”, afirma. Maria Bethânia, o Betão, evita falar sobre o episódio, mas reforça que “nunca houve discriminação contra afeminados” dentro de sua delegacia.

“Não vou permitir que digam que tenho algo contra essa gente”, protesta o delegado. “O único preconceito que aceitamos aqui é contra os argentinos”, brinca, comentando a prisão de seis turistas do país vizinho na última semana. O grupo caminhava pelo centro da cidade e cruzou com Betão, que voltava de um churrasco no morro, onde assistiu ao jogo Brasil x Venezuela. O delegado explica que deixou a garrafa de uísque em um lugar seguro e apontou Jussara para os estrangeiros. Todos foram algemados e levados para a delegacia, onde passaram 18 horas. “Nós sabíamos que haveria aquela confusão depois da vitória da Venezuela, então trancamos os dieguitos para protegê-los”, justifica.

Apesar das numerosas acusações de truculência e discriminação feitas por diversas entidades que defendem os direitos dos homossexuais, o delegado Maria Bethânia, o Betão, garante que não irá diminuir seu empenho no combate ao crime. “Às vezes somos mesmo enérgicos”, admite. “Mas nada disso seria necessário se esses rapazes não tivessem sido criados pelas avós”, brinca.

betaofobia

Para reforçar sua postura em relação ao assunto homofobia, o delegado Maria Bethânia, o Betão, tem agora em sua sala uma moldura com a charge acima, com a qual garante se identificar. O presente bélico é de Messias Jardan, fã do blog Rasura Livre.

Exportação de frentes frias é solução para crise argentina

Saturday, May 3rd, 2008

Buenos Aires (Boca) – Na última segunda-feira, após quarenta e dois dias de panelaço em uma avenida larga e comprida, a presidente argentina Cristina K. anunciou uma medida polêmica para enfrentar a atual crise rosada. A partir de maio, os brasileiros pagarão mais pelas frentes frias e zonas de inversão térmica fabricadas na Argentina, o que deverá onerar ainda mais o trabalho dos já penalizados meteorologistas no Brasil. Desde o advento da televisão, o país é o principal mercado consumidor desse produto.

Os argentinos apóiam a medida. Elviro Matildo, comissário do Ministério das Relações Argentinas Queridas (MIRAQUERICO), critica a postura do Itamaraty. “Os brasileiros não podem pensar que somos como os paraguaios, que vendem energia e muamba a preço de banana ao Brasil”. E completa: “O Ronaldinho é um saco”. A decisão gerou desconfiança em Mossoró (RN), onde não existem argentinos vivos. Para o vereador sem partido Aupatino Ribeiro, a cidade tem capacidade suficiente para rivalizar com os portenhos exportando frentes quentes, muito mais procuradas no mercado, principalmente por turistas chineses.

Na semana passada (no fim de semana), uma convenção reuniu 775 milhões de empresários em Beijing interessados na produção pirata de frentes quentes para abastecer Gru, o dragãozinho chinês. “A Globo e todos os canais de televisão são cúmplices ocultos, porque fazem propaganda disfarçada das frentes frias, embutida na previsão do tempo”, explica Aupatino. “Nunca pedi frente fria”.

Mas o discurso brasileiro destoa no cenário da opinião pública internacional. O guru americano Al Gore, 73, lembra que o planeta nunca esteve tão perto do colapso ambiental e profetiza que o mercado de frentes frias será a solução para a problemática do aquecimento global. A cada 24 horas, observa o palestrante, uma área equivalente a 56 circos do Marcos Frota é derretida nas Calotas Polares. “Meu próximo documentário será sobre isso, eu acho”, explica.

Mesmo no Brasil, a política de Cristina K. tem sido incentivada em alguns setores. A traficante de classe média carioca Mara, que mora na Barra, defende a importação das frentes frias argentinas e as considera agradáveis para se reunir com amigos surfistas em volta da fogueira em Angra. “Nada a ver esse lance”, observa.

gato Fávio
Atualmente sem cobertor e dormindo num canto escuro da sala, o gato Flávio comemora a alta das frentes frias e espera que o Brasil invista mais no clima quentinho. “No momento não quero falar sobre o assunto”, comenta. Messias Jardan roçou sua barriga e fez o clique.

* Com Paulo Guedes

Indie & Pessoal: uma coleção de verbetes

Friday, April 18th, 2008

O selo independente
Ainda jovem saiu da casa dos pais e ganhou o mundo vendendo discos ruins e farejando novas revelações musicais dispostas a posar para fotógrafos da escola gaúcha de fotografia de bandas.

A cena alternativa
Garota de classe média alta que não saiu tão bonita quanto a irmã e que por isso começou a vestir roupas de brechó e montou um blog. Até ontem amava pegar os caras de barba que usam calça xadrez, mas agora o roçar dos pelos no pescoço já incomoda e ela gostaria de ao menos uma vez jantar em um restaurante bom (e de carro).

O trabalho solo
A internet facilitou muito sua vida. Agora ele não passa mais pelo constrangimento na locadora alugando os filmes que lhe inspiram na frente de estropiadas mães de família que estão levando Harry Potter e Os Incríveis para casa pela enésima vez.

O clipe no Youtube
Menino prodígio, talentoso e performático, virou assunto em todas as rodinhas no recreio da escola na segunda-feira depois de mexer o cotovelo de um jeito que ninguém conseguia. Pela tarde mal conseguia chegar em casa tamanho o batalhão de jornalistas que queriam saber tudo a respeito daquele garoto de quem nunca ninguém tinha ouvido falar. Ganhou caixas de bombom, rolos de cartas com mil metros de “eu te amo”, convites das garotas mais lindas para andar de bicicleta no parque. Dormiu como um anjo. Foi pra escola de táxi na terça-feira, mas ninguém deu bola pra ele. Repetiu algumas vezes o gesto com o cotovelo mas as garotas preferiam assistir à aula. Hoje, dois anos depois, ainda treina diariamente truques com o joelho, as orelhas e as narinas, mas ninguém vê nada de especial em nenhum deles.

*Com a colaboração de Paulo Guedes.

ressaca_artista_alternativo

Só se fala de outra coisa no eixo Mossoró-Taperoá: Lélio Boucinhas é a revelação do indie-folk-alternativo nacional. Cantando, compondo e cozinhando, Lélio encanta a todos com o seu jeitinho tímido e retardado. Seu primeiro hit, Tocomcuruba, uma balada deprê-animada sobre micoses de pele, conquistou o sertão e agora ameaça chegar ao mar. O clique destemperado e possuidor de rara maciez é do poético Messias Jardan.

Dia Internacional do Rim passa batido

Friday, March 14th, 2008

Instituído para homenagear o aniversário do rim, o Dia Internacional do Rim deste ano foi um pouco mais animado do que de costume, embora ninguém tenha notado. Por todo o mundo, o 13 de março foi marcado por eventos sociais e ações coordenadas para chamar atenção para o fato de que quase ninguém sabe onde fica o rim. Entre uma pedra e outra, Ressaca Moral cobriu alguns dos mais eventos importantes pelo Brasil.

Crato (CE) – Liderado por Neguinho do Rim, o grupo circense Rim é o Melhor Remédio realizou sua tradicional apresentação no centro da cidade. Com a ajuda de voluntários que passavam pelo local, a trupe encenou de forma descontraída o “golpe da banheira”, em que incautos são envenenados e têm um dos rins roubados após dormirem em uma banheira cheia de gelo. Elielton Maués, 26 anos, faleceu no local após ter seu rim esquerdo retirado. Neguinho do Rim minimiza o incidente: “Todo mundo tem dois rins, como eu ia saber que esse cara só tinha um?”, brinca.

Mossoró (RN) – Sempre à frente de seu tempo, o MIT (Mossoró Institute of Technology) aproveitou a data para anunciar que pesquisa o desenvolvimento do terceiro rim. Embora já possuam a tecnologia necessária para implantá-lo, os pesquisadores ainda não sabem como lidar com a cobaia Roberval, o primeiro brasileiro a receber o rim extra. “Ele fica roubando minha água e mijando no laboratório”, explica o nefrologista Lupércio Vrikt. “Cara chato”, conclui.

Rocambole (MA) – Com a doação de 135 milhões de reais da prefeitura, a organização não-governamental NEFRO? (Não Estamos Furtando Rins, Ok?) exibiu o espetáculo “Eu Vou Até o Rim”. Através de coreografias inspiradas no funcionamento do sistema excretor, a ONG mostra à sociedade que seus integrantes não roubam rins, já que a entidade ainda não dispõe de contatos entre traficantes de órgãos.

Rio de Janeiro (RJ) – Milhares de rins da URINA (União dos Rins Autônomos) se vestiram de branco e entoaram a canção “Menino do Rim” para dar um basta à violência da Nova Schin – a sociedade Viva Rim estima em oito milhões o número de rins desaparecidos por causa da cerveja. Faixas e cartazes exibiam os dizeres “O Rim continua lindo”. Houve tumulto e os policiais atiraram pedras nos rins, que sofreram muito e precisaram se submeter a uma espera de oito horas no SUS.

Hermógenes Caladinho
Hermógenes Caladinho foi um dos populares que prestigiou a XXIV Rim, Ri e Renci, em São Paulo. Em uma das barracas de serviços gratuitos, Caladinho tatuou o nome da namorada no próprio rim, já que não havia mais espaço disponível na pele. O clique nefrológico é de Messias Jardan.

Colaborou Rafael Guedes

Imprensa mundial repercute pití de Fidel

Tuesday, February 19th, 2008

*Clipping heroicamente produzido por Doda Vilhena e Paulo Guedes

Planeta
“Morte de Fidel Castro é anunciada para 2010″

Quatro Rodas
“Revelado novo Fidel com motor 1.4″

Revista Saúde
“Fidel Castro: cozido, mexido ou cru?”

Casa Claudia
“Como utilizar um Fidel Castro para aproveitar a luz do sol”

Seleções
“A emocionante história do garoto que passou trote para Fidel Castro”

Superinteressante
“Há 60 milhões de anos um asteróide quase acabou com os Fidels”

Nova
“63 maneiras de conquistar o seu próprio Fidel Castro”

Atrevida
“O que fazer quando ele mostrar o Fidel pra você?”

Playboy
“Tiramos o uniforme e revelamos as barbas do ditador!”

Lance
“W.O. tira Fidel do campeonato”

Folha Universal
“Satanás perde mais uma”

UFO
“Mancha barbuda vista no céu do Pará pode mesmo ser Fidel Castro”

Boa Forma
“O último comunista explica como manter a forma comendo apenas criancinhas”

Folha de São Paulo
“Infográfico: entenda Fidel”

Veja
“O fim do monstro barbudo”

Caras
“Eliana e Fidel: novo casal é flagrado em Angra”

ressaca_fidel3

Após a renúncia de Fidel Castro, o novo síndico cubano deve ser Preta Gil Castro, irmã do ex-ditador que vivia em Miami e recentemente passou por uma operação para ficar mais parecida com Michael Jackson. O bariátrico momento foi registrado pelas flácidas lentes de Messias Jardan.

Expressões que você deve evitar II – o ambiente corporativo

Wednesday, December 5th, 2007

“Nosso objetivo pode ser resumido em três palavras: crescer, crescer e crescer”
Repetir três vezes a mesma palavra quando você avisou antes que irá citar três palavras é uma das coisas mais idiotas para se fazer no ambiente corporativo. Se você achou que ia ser engraçadinho, surpreender, ganhar moral com seus subordinados, errou feio. Sua idéia não parecia ruim: “Vou avisar que tenho três palavras para citar, assim eles ficam mais atentos. Repito a mesma palavra que é pra fixar bem na cabeça deles” – mas fracassou: não tem nada de original, é previsível e pedante. O pessoal pode até ser preguiçoso, mas não é trouxa; pode até ser puxa-saco, mas ninguém tem paciência pra forçar sorriso amarelo em reuniões enfadonhas. E de qualquer forma todo mundo sabe que o objetivo da empresa é crescer, ora bolas. Da próxima vez, ou você escolhe bem as tais três palavras ou esquece essa reunião inútil e deixa o pessoal trabalhar. Assim, quem sabe, a empresa cresça mais.

“Senhores colaboradores, por favor queiram estar se dirigindo ao salão nobre onde vai estar ocorrendo uma grande videoconferência”
O leitor mais escolado possivelmente balançou a cabeça e concordou que “queiram estar se dirigindo” ou “vai estar ocorrendo” são faltas graves – mas reclamar de gerundismo já é chutar cachorro morto. A questão aqui é outra, que parece passar em branco no cotidiano: de onde foi que o pessoal do RH tirou que os funcionários preferem ser chamados de “colaboradores”? Colaborador é o infeliz que manda um texto para o Ressaca Moral e fica torcendo para que ele seja aceito – sem receber nada em troca, a não ser uns comentários maldosos. Colaborador é o cara que fecha a torneira enquanto escova o dente para não aumentar o gasto com água. Colaborar é ajudar, cooperar, mas não envolve necessariamente remuneração. Nós, que batemos ponto aqui todos os dias e fazemos questão de receber nosso salário no quinto dia útil, somos trabalhadores. Empregados. Funcionários. Mão-de-obra. Operários. Proletários. O que você quiser, mas “colaboradores”, por favor, não.

“A toda a família Irmãos Gleydson S/A, um feliz ano novo”
Família uma ova. Não é porque nos vemos todos os dias e temos que nos tolerar que somos uma família. Ainda que você trate mal seus funcionários, que provoque intrigas entre pessoas do mesmo setor, que tenha preferência por uns em detrimento dos outros, que seja incoerente em relação a suas cobranças, ainda assim, eles não são parte de sua família. E nem querem ser. A menos que você pretenda encaixá-los em algum lugar de seu testamento.

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Arlindo Rodrigues Dugumasvlad (primeiro à esquerda) abriu uma empresa inovadora para tunar carros. Contratou 3 colaboradores e decidiu tratar a todos como uma verdadeira família. Em um ano de empresa, Dugumasvlad conseguiu três coisas: falir, falir e falir. O clique envenenado é de Messias Jardan


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Expressões que você deve evitar

Bandas politicamente corretas que não deram certo

Saturday, October 20th, 2007

Por Paulo Guedes & Rafael Guedes

The Ianomâmis - A primeira banda indie indígena tem formação multiétnica – cada integrante vem de uma tribo diferente. Akerê (vocal), U’hunrú (guitarra, zarabatana), Kurumã (baixo, chocalho), Ybity-Exá (bateria, curimbó) e Jefferson (filmadora) alcançaram sucesso instantâneo no final dos anos 90, quando fechavam rodovias no Norte do País para protestar contra a falta de verbas para invadir terras improdutivas. Hits como “Yumamamanãa Ko Toteruaçu” (“Sting, vai procurar tua turma”) e a divertida “Uyumarãka Nhe’engatu” (“Vovô aposentou o arco-e-flecha”) levaram platéias ao delírio em shows que invariavelmente terminavam com o sacrifício de um curumim para o Deus Sol. No início da década, a banda mergulhou em uma sombria atmosfera de alcoolismo e drogas como a ayahuasca e o caroço de jerimum. A experiência transcendental deu origem a “H’uananaã” (“O lado preto da lua”), primeiro e último álbum conceitual dos Ianomâmis. Executado sobre o filme “O Mágico de Oz”, o disco revela a receita da farinha de tapioca. O grupo encerrou as atividades pouco depois de gravar o disco por não conseguir pagar em dia os carnês do ECAD, do Ibama e da Funai.

Cansei de Ser Explorada - Sete simpáticas mães paulistanas fundaram a banda para cantar as angústias de trabalhar fora, limpar a casa, cuidar dos filhos e ainda ter tempo para seus maridos. Formado por Estela (vocal e roupas), Edilene (guitarra e almoço), Elizete (baixo e baralho), Marli (bateria e passeios no domingo), Dona Sônia, Rosângela e Fátima (backing vocals, reuniões de pais), o septeto inovou subindo aos palcos sem jamais ter ensaiado. “Nunca tivemos tempo”, explica a líder Estela. Seus shows tinham duração máxima de quinze minutos, porque as integrantes ainda precisavam pegar dois ônibus e um metrô pra voltar pra casa. Fátima revela curiosos bastidores do clipe de “Panela de Pressão”, hit em que protestam contra a correria do dia-a-dia: “Aquele feijão que aparece era de verdade. Quando acabou a gravação do clipe levei pros meus filhos comerem. Tava todo queimado, meu marido armou uma confusão”, diverte-se. O ritmo frenético do mainstream acabou por decretar o fim da banda: as mamães roqueiras vinham se sentindo cada vez mais exploradas pelo circuito do rock’n'roll.

Renato e Seus Green Peaces - Quem disse que amor não combina com devastação, sequestro de carbono e efeito estufa? Embalados pelo derretimento das calotas polares e com um discurso engajado, os caras do Renato e Seus Green Peaces chamaram a atenção da comunidade mundial para o fato de serem muito chatos. Realizado a bordo de um helicóptero alvo de bombardeios de uma empresa produtora de soja da Amazônia, o primeiro show da banda virou hit na Polícia Federal, que prendeu todo mundo e utilizou métodos práticos de fazer falar a verdade.

E na semana que vem!

- O pessoal do Arctic Mico Leão invade São Paulo
- O trágico final do Que Fim Levou o Mogno?
- Bonde do Rolê diz não ao transporte clandestino
- Marcos Frota: “Quero conhecer Bono Vox”
- Cidadania: Engenheiros do Hawaii tiram o CREA 20 anos depois
- Inimigos do Rei desmentem desentendimento com Roberto Carlos

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Presidente do Txutxucarramães, maior fã clube do The Ianomâmis, Ynhangerê ameaçou devorar a cabeça de um pássaro dócil e visivelmente entediado durante apresentação da banda na reserva Xingu, caso o grupo fosse realmente terminar por falta de grana. Desesperado, Ynhangerê vendeu uma picape e doze aparelhos de DVD que mantinha em sua oca e doou todo o dinheiro para os músicos. Poucos dias depois, os integrantes se mudaram para a casa de praia de Sting. O clique inconsolável é de Messias Jardan.

Grande Mapa Cartográfico da Música Brasileira (GRAMACARMUBRA)

Wednesday, August 22nd, 2007

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Inspirado no que fez o cartunista Dahmer em seu mapa gerador de quiprocós, recalques, picuinhas e dores de cotovelo, Ressaca Moral realizou a cartografia definitiva até que se prove o contrário da música contemporânea brasileira. Baseado em raivinhas pessoais, o mapa reflete algumas realidades:

- As Geleiras do Esquecimento são locais onde a sobrevivência humana é insuportável;
- Fenômenos como o El Dinho não são levados em conta na composição do mapa;
- O Efeito Desestufa transformou radicalmente o arquipélago da Fat Family;
- Pedimos gentilmente ao pessoal do Google Maps que não insista mais com propostas ao site;
- Falta muita gente no mapa, como falta muito amor no mundo, portanto paciência;
- O mapa não leva em conta quem morreu, quem está vivo ou quem está na ativa, porque no fim das contas nem a gente sabe.

Por Rafael Guedes & Paulo Guedes

Gol mil meu, gol mil de todo mundo

Monday, May 21st, 2007

RÉGIS
A Globo ainda não sabe o que fazer com os 12 clones de Régis Resing, adquiridos exclusivamente para cobrir o milésimo gol de Romário.

RÉGIS II
A emissora carioca teria contratado também um grupo de psicólogos para acompanhar o Régis Resing original. Teme-se que, após narrar o gol mil do baixinho — o momento mais alto da carreira de ambos —, Régis entre em depressão por jamais conseguir atingir o mesmo prazer novamente.

RÉGIS III
Desmentidos os boatos de que Régis Resing seria feito por computação gráfica. Mas os rumores de que suas reportagens seriam criadas por um gerador automático de rimas ainda estão sendo investigados.

TURISMO
O presidente vascaíno Eurico Miranda promete transformar o Gol Mil em ponto turístico. As obras já estão adiantadas: uma réplica perfeita de São Januário está sendo construída no quintal da casa de Eurico. 20 mil torcedores coadjuvantes irão receber 10 reais por semana para gritar gol e invadir o campo sempre que Romário (Gero Camilo) bater o pênalti fatídico.

EM EVIDÊNCIA
O Vasco estaria providenciando outro atacante que tem cerca de 990 gols: torcedores da cruz-de-malta ficaram mal acostumados com a superexposição na mídia.

META
Pessoas próximas garantem: Romário não sossega. O baixinho da Penha vai agora atrás do milésimo filho.

mud_soccer_30.jpg
Messias Jardan eternizou o momento exato em que o baixinho bate o pênalti consagrador. O jogador nega que tenha contado com a ajuda de algum montinho artilheiro. “Eu sou craque, valeu?”, explica.