Por Cruzmaltino Bandeco*

Não se pode dizer que James Cameron é, de todo, um desconhecido. O diretor canadense ficou famoso algum tempo atrás pelo pioneirismo em Titanic, o primeiro filme cujo final as pessoas conheciam antes de assistir. O naufrágio não impediu Cameron de torrar uma fortuna na comédia Avatar – uma bobagem sobre extraterrestres azuis, pioneira em exigência de óculos especiais do espectador.
Perdi a exibição de Avatar porque minha conjuntivite alérgica voltou a incomodar, me impedindo de sair de casa. Mas Válter, meu sobrinho, é fã dos Smurfs e entende tudo de seres azulados. Discutíamos a película quando ele teve um acesso de tédio e acabamos saindo para tomar sorvete.
A impressão que tive dos comentários de Válter foi terrível. Mais um dos engodos que Hollywood produz para vender a lorota do aquecimento global, Avatar lembra os desenhos ingênuos em que marcianos e terráqueos brigam, sem sucesso, para chamar a atenção do espectador. E olha que meu sobrinho não perde nenhum deles.
Quanto aos óculos, tratam-se sem dúvida de artimanha para disfarçar as graves falhas da produção. Não apenas nas questões estéticas, jamais à altura da sétima arte, mas também no enredo e nas péssimas interpretações. São vendidos com o cínico argumento de permitir visão em três dimensões – algo que a ciência já provou que todos temos.
É lamentável perceber o fraco nível a que chegou o cinema nas últimas décadas. Mas Cameron tem a faca e o queijo nas mãos para reverter esse quadro. Basta ser o pioneiro em saber a hora de parar.
Nota: zero.

Cheia de dívidas após desperdiçar seus ralos talentos em um papel fadado ao esquecimento, Thomma Empson hoje trabalha como cobaia para tatuadores iniciantes em Mossoründchen (RN), na Alemanha. Jamais conseguiu remover do corpo a tinta usada durante as filmagens. O clique anil, feito por um anônimo, tem supervisão de Messias Jardan.
* Cruzmaltino Bandeco tem 53 anos e é crítico de música e cinema há 22. Publicou, nos anos 70, diversas reportagens sobre as pornochanchadas que não pôde assistir. É autor de quatro ensaios sobre o prêmio “Kikito de Ouro” e do livro de contos “Memórias do Mercadinho”. Sofre abusos sexuais de seu tio Milton Osvaldo desde a adolescência.









