Archive for the ‘Rafael Guedes’ Category

Que cozinha eu quero pra mim?

Wednesday, March 5th, 2008

Ressaca Moral analisa os reflexos da gastronomia masculina numa vida a dois.

Bife com feijão – Demonstra insenbilidade e tendência a comportamentos primitivos, como usar o vaso de porta aberta e fazer piadas com parentes dela. Se o bife for frito em frigideira previamente utilizada para outros fins, pode indicar também descuidos como badalhoca e feijão nos dentes.

Sanduíche natural – Sem pestanejar, você sabe responder o nome dos diretores e protagonistas de pelo menos 13 comédias românticas. Acredita em auto-ajuda e resenhou ‘O Segredo’ para um blog de seu município. Manda cartas para jornais porque acredita estar contribuindo com a sociedade e participa de rodízios de veículos com um sorriso no rosto. É fã do Biquíni-Cavadão e bunda-mole por natureza.

Kedgeree de salmão à francesa – O recente contato com programas televisivos matinais está fazendo mal para você, que passou a freqüentar lugares antes abomináveis, como shows de sapateado, teatro de rua e lojas de presentes regionais. Comprou a última temporada de Sex And The City e, mais, participou de uma promoção para conhecer a Sarah Jessica-Parker com tudo pago.

Cozidão – Seu jeito pegador e suas advertências verbais garantem o equilíbrio na relação. Sua garota não se importa se você deixá-la sozinha em casa num sábado à noite – na verdade, ela sabe que não possui outra opção se ainda quiser ter um sorriso bonito na vida. A janta a dois tem o charme da luz de velas, embora isso aconteça porque você esqueceu de pagar a conta de luz e fez um gato que funciona apenas de madrugada.

Ovo – Você é um homem prático, dinâmico e que prefere não perder tempo agora que seu relacionamento acabou.

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Uma das exigências de camarim da banda Calypso em seu shows é o kibe de açaí com granola, iguaria típica de Belém (PA). É a forma que Chimbinha (primeiro à esquerda) encontrou para agradar Joelma (ao fundo) nas longas turnês da banda. Messias Jardan invadiu o camarim disfarçado de libélula, apanhou, mas fez o clique

Ressaca TURISMO

Thursday, February 28th, 2008

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Quando for a Óbidos, no Pará, não deixe de visitar Caetano Prótese Dentária.
A dica estarrecedora é do Leo Aquino.

Comentários e piadinhas que eu não estou mais a fim de ouvir em 2008

Friday, February 8th, 2008

- Essas eleições nos EUA são uma maluquice!

- Aquela atendente burra do telemarketing disse que vai estar me ligando pra estar me informando!

- A Cleo Pires faz o estilo gostosona.

- Mas o que é a Preta Gil?

- Esse é o governo mais corrupto que eu já vi!

- Eu pegava a Hillary.

- Eu pegava o Bill.

- Eu pegava a Preta Gil.

- O Lost começou legal, mas se perdeu no meio do caminho.

- Até parece que esse negócio do cartão corporativo só começou agora!

- Acho que a Ivete é bi.

- A Xuxa só usou o Luciano Szafir pra fazer a Sasha!

- Pede pra sair, Armando! Pede pra sair!

- O Dunga só faz merda.

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2008 começou difícil para a banda paulistana Cansei de Ser Sexy (CASESE). Depois de uma turnê nos Emirados Árabes e de 85 shows numa semana movimentada em Londres, o conjunto passou por uma estafa física, mental e a nível de fashion, e decidiu voltar a fazer shows no Brasil. A partir de março, o Cansei de Ser Sexy se apresenta em Mossoró (RN), onde inaugura um balcão do Bolsa Família, seguindo para Belém (PA), onde animará show de aniversário do deputado federal Jader Barbalho. Os shows serão legendados em Português e transmitidos com tecla SAP. “We’re glad to be here with the brazilian people”, afirmou em tom britânico o baterista Adriano Cintra. Messias Jardan comprou um All Star e fez o clique.
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O Natal sacal da TV – Reportagens que você vai ter que aturar até o dia 25

Friday, December 14th, 2007

“Quem deixou para comprar na última hora enfrentou filas e precisou de muita paciência para estacionar.”
Repórteres de tevê têm a incrível capacidade de retratar – e até exaltar – de forma engraçadinha idiotices do brasileiro médio, como o hábito de ficar devendo Deus e o mundo e sua disposição em se meter em cagada. As “filas de última hora” são uma espécie de tema genérico de datas festivas e podem ser aplicadas à Páscoa, ao Dia dos Pais, ao Dia das Mães e até mesmo ao inédito Dia do Marcos Frota, instituído pela prefeitura de Mossoró (RN), onde é ídolo local. Quem já se aventurou a fazer compras de Natal depois do dia 20 conhece o horror de ter que se esfregar em desconhecidos na escada rolante e ver o toilette de shopping, santuário do banheiro como instituição pública e limpa no Brasil, ser transformado em mictório de estádio paraense.

“Em Crato, no Ceará, este aposentado produziu o maior presépio da América apenas com garrafas pet. Uma idéia que enche os olhos e respeita o meio ambiente.”
Foda-se o meio ambiente: nada que seja feito de garrafa PET reaproveitada, tampinhas e outros plásticos escrotos têm efeito estético positivo. Que algum arquiteto desocupado arranje um jeito de construir moradias populares com os restos de nossos aniversários de criança – beleza. Mas os presépios de hoje em dia produzem variações tão indigestas que Cristo pediria o auxílio de um personal stylist pra ajeitar o negócio.

“Convidamos três estudantes de Publicidade a comprar presentes para a família com apenas cinqüenta reais. O que será que elas conseguiram?”
Uma bela merda – a não ser que elas decidam apenas cumprir tabela e comprem brindes fajutos e supostamente modernos como a praga dos pen-drives de 256 kb, preferido entre profissionais anacrônicas de RH organizadoras de festinhas com brindes e mais recentemente de blogueiros empenhados em criar promoções inúteis. Pen-drive é a meia da revolução tecnológica e somente outsiders de nossa era o têm valorizado, porque se impressionam ao lembrar de como era o disquete. No mais, com cinquenta reais só se faz a festa no Paraguai, na 25 de março ou em puteiro – os mesmos locais onde vez ou outra a tevê vai parasitar notícia e condenar maus costumes.

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As cagadas de Natal se transformaram em um problema de saúde pública no Brasil depois da entrada do pen-drive e do MP4 player – interpretado por incautos como uma evolução do MP3 – no mercado. Em fulgural e empolgante momento jornalístico, Messias Jardan flagrou a luta de uma mulher para trocar o presentinho bobo e rasteiro em Mossoró (RN)
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O site Celebration Fantasias está de volta!

Tuesday, November 13th, 2007

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Que segredos estão por trás destas fantasias?

Não se trata exatamente de um retorno triunfal. Para quem, há pouco mais de dois anos, viveu a experiência de gastar preciosas horas do seu dia acessando o site Celebration Fantasias para insistentemente retornar nos dias seguintes, compartilhar com os amigos e, num bizarro exercício de curiosidade, infiltrar-se nos meandros de seu hiperespaço, bem, o retorno ao ar do viral involuntário mais querido do underground virtual deixou a desejar. A decepção só não é maior que a alegria de ter de volta um site que nos trouxe momentos tão agradáveis num passado recente, merecendo comunidade no Orkut e debates interessantes a respeito da estética do muito ruim. No fim das contas, o importante é que o site voltou.

A Celebration Complex Fantasias é uma empresa gaúcha especializada em transformar em porcaria todo e qualquer esforço humano na criação de personagens, incluindo aí Walt Disney, Maurício de Souza e Roberto Gómez Bolaños, passando ainda por toda a história do rock e pelas profissões mais antigas das sociedades humanas. Utilizadas num aniversário de criança, sua fantasias provocariam tumulto e pancadaria, relegando à molecada alguns anos de análise e adolescência tortuosa no futuro.

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A nova fase do site, após um intervalo de quase um ano, envolve em uma atmosfera nebulosa o idoso-propaganda da Celebration. Sem dúvida o principal responsável pela difusão da marca e frontman do bizarro, o homem, estranhamente, teve o rosto desfigurado nas novas fotos que vão ao ar em nome do total anonimato. Difícil saber o que motivou tal atitude por parte dos criadores do site, tarefa que deixo aqui a cargo de algum leitor mais interessado em desvendar mistérios do mundo-cão. Não apenas o octagenário foi privado de seu status de celebridade momentânea, mas também o garoto que interpretou He-Man e o Super-Homem nas fantasias perdeu o direito aos seus quinze kbytes de fama em jpg.

O que terá motivado mudança tão significativa no site? O que, aliás, fez com que passasse tanto tempo fora do ar, indignando internautas e gerando um sem número de conspirações? A despeito de tal polêmica, é importante lembrar que é preciso encarar essa nova fase como um recomeço e, tal qual num relacionamento, isso implica em perdas e concessões. Enquanto fico sem respostas, deixo aqui esse e esse posts publicados no Ressaca Moral em 2005, ainda em seu velho layout e totalmente inspirados no site gaúcho. Aproveito ainda para eleger a fantasia mais comovente do site, acompanhada de um refrão muito ruim da nova MPB – para o que designo também os camaradas Doda Vilhena, Sarah (de roupa nova e com as velhas manias de sempre), a Rachel, minha gente!, o menino Pedrox (afeito a bizarrices) e quem mais se propuser a um meme de vida curta, puro mal-gosto e nostalgia (ah, vai, eu sei que isso não vai longe).

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“Eu só quero saber em qual rua minha vida / Vai encostar na tua” (Ana Carolina)
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Não posso deixar de agradecer ao Paulo Guedes, colunista de Ressaca, por carinhosamente ter deixado salvas as imagens originais da Celebration antes que o site saísse do ar. Beijo no coração, Paulo.

BRASIL 2014 – Mossoró divulga mascote e camiseta baby-look

Tuesday, October 30th, 2007

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Mossoró (Cidade-Bola) – A Confederação Mossoroense de Futebol e Bola de Praia (Confemofubola) antecipou-se à CBF e divulgou na manhã desta terça-feira (dia 42 do calendário tibetano) o mascote e a logomarca oficiais da Copa do Mundo de 2014, que deverá acontecer nos estádios potiguares se as águas do vizinho rio São francisco já tiverem sido transpostas, banhando todo o Oceano Atlântico e inundando territórios como Nova York, Ottawa, Groenlândia e dois continentes à sua escolha. A iniciativa faz parte dos esforços da Cidade-Bola – nome pelo qual a cidade é carinhosamente conhecida desde às duas da manhã de hoje – para sediar jogos do mais importante evento esportivo desde o advento da bocha no oeste da Irlanda no limiar do século 18, pelas hábeis mãos de Sir Wilfrid Graas Graas.

Em nota oficial, a equipe de tecnólogos do MIT (Mossoró Institute Of Technology) explica que a logomarca “parte de um conceito imbuído de todo um processo de jogar bola”. Para tanto, os especialistas fizeram referência à bola de praia, paixão local do cidadão mossoroense e item utilizado como salva-vidas por Jeffrey Montgomery no verão de 1963, quando um avião caiu em sua piscina de fibra, matando-o por afogamento. Num gesto habilidoso e famigeradamente interessante, a organização da Mossocopa 2014 convidou o jornalista Tylon Maués, colunista de Ressaca Moral e campeão de Cinco Cortes, para ser o mascote do evento. “Eu nunca imaginei que um dia faria parte desse time de estrelas”, disse Tylon em sua primeira propaganda de um produto à base de glitter. Tylon foi escolhido por reunir características de diversas minorias ao mesmo tempo e é peça-chave na luta para que a Cidade-Bola seja a sede única da Copa 2014.

A bola de praia representa ainda os cinco continentes mais a Antártida, além de imitar o formato do planeta Marte, onde os cidadãos mossoroenses acreditam haver vida inteligente. “Lá o pessoal só ouve Lenine e lê ‘O Livreiro de Cabul’ ”, argumenta Paulinho Truta, estudante de Sociologia e vendedor de erva da PUC de Mossoró. A logomarca também representa o esforço humano para carregar grandes problemas – a exemplo dos que passam o Brasil e particularmente Mossoró, onde apenas 3% da população têm acesso ao Marcos Frota. Para chamar a atenção da comunidade mundial sobre a campanha, a comissão organizadora do evento convidou o ator mexicano com cara de jardineiro Gael García Bernal, mais conhecido por ter interpretado o guerrilheiro Ernesto em “Diário de Bridget Jones”.

Brasil – Com a escolha do Brasil para sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014, autoridades e dirigentes de todo o país iniciam uma corrida contra o tempo para estruturar estádios e cidades inteiras, a exemplo de Crato (CE), onde todos os moradores foram expulsos para a construção do “Cratão”, estádio que lembra o formato do Ricardo Teixeira. Em Belém (PA), 512 trabalhadores foram contratados em regime de semi-escravidão para a construção do “Tacacão”, estádio em forma de cuia de tacacá, iguaria típica da região. Em Manaus (AM), um índio morreu depois de saltar de pára-quedas.

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Gael García Bernal é Che Guevara no filme mais emocionante dos centros acadêmicos. O clique revolucionário e que estampa camisetas ao redor do planeta é do camarada Messias Jardan.

Intervalo – Grandes Jabás de Ressaca Moral

Saturday, October 6th, 2007

“Devorados”, novo clipe da Madame Saatan, banda criada nos becos metaleiros de Belém do Pará. O cenário é a Vila da Barca, símbolo do crescimento desordenado da capital, atualmente em processo de demolição e aterramento para a construção de um conjunto habitacional. O que você vê aqui, meu/minha camarada, não existe mais. O clipe, dirigido pela metaleira enrustida Priscilla Brasil, só existe graças aos esforços voluntários de uma equipe de 40 pessoas (creditadas no link direto do Youtube) e a uma torção no pé da vocalista Sammliz – nas palavras do jornalista Alex Antunes, a Ivete Sangalo do mal. A versão final do clipe, que sai até novembro, mergulha na atmosfera do lugar.

Priscilla é diretora de Filhas da Chiquita, que tem a co-direção de Gustavo Gozinho e do confortável Vladimir Cunha, colunista deste site e desordeiro.

O Brazilian Day só podia acontecer no domingo

Thursday, September 6th, 2007

Sempre quis conhecer Nova Iorque, mas teria passado longe de lá por esses dias. Em tempos de terrorismo em escala planetária e de ambições diplomáticas aguçadas nas embaixadas brasileiras, a Globo Internacional decide jogar tudo pro alto com uma dose cavalar de artistas meia-boca sobre os americanos. Com exceção das belas Grazi Massafera e Fernanda Lima, que não precisam falar inglês para convencer os americanos de que somos tudo boa gente, o casting que embalou a Sexta Avenida no domingo (02) é não apenas um contra-senso, se pensarmos na variedade de bandas que surgem atualmente em todo o país. É reduzir o pop à prateleira mais acessível do mercado.

Você pode pensar no Brasil como um país continental, multifacetado, que transborda cultura a ponto de não tê-la ainda decifrado e todas aquelas definições prosaicas com as quais nos habituamos a conviver, mesmo que sem entendê-las por completo. Ou traduzir tudo isso em alguns nomes fajutos em pleno coração econômico do planeta, apresentados por André Marques, o Mocotó, numa indigesta sopa cultural. Quando começarem a conspirar sobre o evento, vão querer saber o porquê. Em 2007, o 11 de setembro chegou a Nova Iorque com uma semana de antecedência.

As atrações

Jota Quest
Entre o soul e o funk acrílicos, Jota Quest – corruptela do herói da Hanna-Barbera, abrazileirada após um processo movido pelo estúdio – botou a classe média do final dos anos 90 pra dançar black music em salões assépticos com consumação e bebidas ice. É um mérito indiscutível, manchado por composições como “Fácil”, “Telefone” e “O vento”. Mas dizer que Rogério Flausino e companhia são a tradução da brasilidade nos remete a uma triste realidade – a das subcriações brasileiras. Contentar-se com Jota Quest é como ganhar palheta de artista cover.

Asa de Águia
Vítima de uma síndrome que acomete pessoas que andam sempre com a mãozinha-pra-cima-e-quero-ver-todo-mundo-batendo-na-palma-da-mão-simbora, Durval Lelys – artista cujo nome, em tese, o inviabilizaria para todo o sempre a ser um ídolo da juventude – é o piloto a comandar o Asa de Águia. É dele as danças da manivela, da tartaruga, do vampiro, do Satanás, do pit bull e de um leque de perversões sórdidas produzidas enquanto Deus tirava um cochilo de 20 anos.

Mais intrigante é saber que este senhor que já deve beirar os 50 (Durval Lelys esconde a idade em seu site, nunca tinha visto homem fazer isso) mas se comporta como pré-adolescente é arquiteto formado pela UFBA (pronuncia-se ‘u-fubá’), tendo ajudado a projetar agências do Banco Econômico em todo o Brasil. O banco, com o perdão do trocadilho, foi à bancarrota. Já os CREAs comemoram o fato de que Durval Lelys tenha passado a fazer micaretas e não prédios.

Bruno & Marrone
“Dormi na praça”, uma das mais brilhantes canções sobre losers da história da música brasileira, trabalha a favor de Bruno & Marrone. Sua participação no Brazilian Day não ofende ninguém, mas dá a impressão de que o Brasil é um país ainda agrário, caipirão, adepto do gel e que se veste mal – o que é absoluta verdade, mas que ninguém mais precisava saber. No mais, diverte a comunidade brasileira que adora chorar de saudade quando se acendem os holofotes. Penso diferente; com tanta coisa pra fazer em Nova Iorque, assistir Bruno & Marrone me traria uma terrível lembrança dos domingos em que ficamos reféns do Faustão. Não é motivo pra saudade.

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Viciado em rações beef & chicken, o gato Flávio sofreu uma overdose ao tomar conhecimento da programação do Brazilian Day e quase morreu afogado em seu próprio refugo de uma refeição da madrugada. “Estou tentando sobreviver!!”, emocionou-se, ao relatar a experiência de um show do Jota Quest. Messias Jardan fez o clique e o levou para viver uma nova vida (a quinta) numa chácara no interior de São Paulo.

Coisas com as quais não sei lidar – Parte I

Monday, August 27th, 2007

Talentos infantis da tevê
Meu tempo para o almoço se resume a alguns minutos diários em que, invariavalmente, em casa ou no trabalho, há uma tevê ligada no Videoshow – e fatalmente com uma criança carioca de seis/oito anos artista da Globo que dá conselhos aos pais na novela e soluciona tarefas aparentemente complexas do cotidiano com mais habilidade que os adultos. Não raro, esses garotos têm poderes sobrenaturais, prevêem mortes e fazem reflexões e questionamentos inverossímeis que colocam em saia-justa medalhões globais mais rodados. A reprise de “Da Cor do Pecado”, novela com um moleque envolvido numa trama que eu ainda não consegui decifrar, decidiu aloprar e nos obrigou a aturar esse aqui também. De fato, o único orgulho palpável que essa turma traz é aos seus próprios pais, que estão enchendo a poupança dos guris e se livrando da responsabilidade sobre uma mensalidade caríssima que teriam de pagar para uma faculdade de esquina no futuro.

Confraternizações do trabalho
“Ei, Ferreira, parece que vão rolar umas demissões e vai ter uma reunião lá no salão às 18h30. O doutor Afrânio mandou te avisar “. E lá vai o Ferreirinha, aniversariante do dia, fingindo dificuldade mental para entender o contexto todo e se deparar com uma grande surpresa – um bolo (de farinha e sem cobertura), salgadinhos (frios, porque comprados de manhã) e refrigerantes (de marcas cuja credibilidade a humanidade desconhece). Enquanto cumprimenta efusivamente pessoas com quem nunca manteve contato além do visual (dependendo do caso, focado apenas na bunda), ouve piadinhas sobre sua nova idade e percebe que o público da festa diminui à medida que os pratos vão sendo cheios.

Pessoas do meu prédio com quem encontro na rua
Você e seu vizinho vivem há dez anos sob a mesma antena e sua amizade se restringe a comentários sobre o clima quente no elevador. Mas há uma linha tênue que separa a vontade de fingir que não o viu da culpa por não cumprimentá-lo quando vocês se encontram por aí – e não tenha dúvida: ele vive o mesmo dilema ao ver você. Minha tensão ao me ver nessa situação é tamanha que resulta em um curto-circuito na área que controla meu poder de decisão e acabo ficando sem ação por alguns segundos, sem sequer ter percebido o que fiz ao certo.

Músicas do Lenine
Preste atenção à letra: “Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma / Até quando o corpo pede um pouco mais de alma / A vida não pára”. Na parte de cima do meu guarda-roupa, enfiado num saco plástico úmido dos Supermercados Jumbo, tenho um uniforme de escola de final de ano desses que os amigos assinam ‘te dólo!’ com caneta esferográfica e acredite: há frases com o mesmo teor, conceito e efeito lírico que a poesia de Lenine nesta canção. Não tenho nada contra este senhor se não tiver que encarar seu olhar perturbador – e talvez Lenine tenha produzido coisa bem menos apavorante. Mas, vale ressaltar, essa música tocou exaustivamente numa novela e preenche até hoje about me’s do Orkut. Não por acaso, seu nome é “Paciência”.

Etiqueta
Do Bahrein a Cingapura, passando pelas Ilhas Maurício, nações possuem códigos de etiqueta específicos que precisam ser respeitados. Dicas de como evitar determinadas gafes nesses lugares sempre vêm estampadas em tips de revistas de turismo, companhias aéreas e afins – mas, reflita-se, qual é a etiqueta do brasileiro? “Olha, evita falar mal do Djavan e também do Los Hermanos, uns barbudos que lembram o Fidel doente”. Quando o filme “Turistas” propagou que “num país onde vale tudo, tudo pode acontecer”, muita gente se ofendeu. Mas eu bato palmas pro estagiário que bolou essa frase pros caras, porque não consigo vislumbrar um manual de etiqueta mínimo num país onde celebridades podem jogar televisores pela janela do hotel, bater em fotógrafos ou compor músicas ruins impunemente. Não sei lidar com essas coisas.

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Celebridades como Marcos Frota se mantêm impunes porque o Brasil ainda não possui um código de etiqueta severo contra esse mal. Messias Jardan cumpriu uma função social e fez o clique
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Soluções para o fiasco do Second Life

Friday, August 24th, 2007

Já que a maior revolução que o Second Life promoveu na vida dos brasileiros foi torná-los ainda mais insuportáveis perante a comunidade cibernética mundial, Ressaca Moral elenca alternativas que estão mudando a segunda vida dessas pessoas.

AA (Anônimos Anônimos)
Pessoas com a bunda em forma de polígono, maconheiros que apertam e não sentem nada, fãs do Djavan sem um bom lugar pra ler um livro. O Second Life criou uma geração de avatares deprimidos carentes de políticas públicas e de soluções em código binário. Reunidos em clubes onde promovem sessões de leitura de Roberto Shyan… Shyei… Shixiqui e escutam músicas de auto-ajuda, os Anônimos Anônimos participam de dinâmicas de grupo em que precisam dizer ao avatar do lado direito um defeito e uma qualidade na transmissão dos kbytes.

Movimento Cansei!
Cansados dos governantes da internet e armados com microfones de computador, os participantes do Cansei! simulam vaias em eventos virtuais e saem postando em blogspots textos miguxos com bastante caixa alta. Exigem a instalação de CPIs de quatro anos para cá e discutem política e Reinaldo Gianecchini na mesma medida. O próximo protesto está marcado para uma visita do presidente Lula à inauguração de uma fábrica de pixels.

Morte e Vida Sakamuro
Há 5.184 horas um grupo de internautas japoneses se reveza entre mangás de putaria e uma maratona árdua na tentativa de gerar um plug-in que lhes permita se trancar num carro conectado a uma saída de um escapamento, cheirar tudo e fechar seus olhinhos para sempre.

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Deprimido com seu avatar que não cruza há quatro meses, o cãozinho Rogério Flausino tem demonstrado um comportamento anti-social que ameaça a vida canina em Second Life. “Tenho vontade de me enterrar!”, revelou. Messias Jardan fez o clique e jogou outra pá de areia