Há quase dois anos escrevi um dos vários textos sem graça que podem ser encontrados nesse sítio internético. Em “E Daí?” comentei sobre uma capa da Veja estampada com a foto da cantora Ana Carolina e a legenda “Sou bi, e daí?”. Fiz um chiste com a artista e uma crítica sobre a exaltação que há sobre as “minorias”. Outro texto muito mais incisivo foi escrito por Wilson Cremonese – um gigante entre nós -, o “Em defesa das minorias”, e não teve a mesma repercussão negativa. Talvez o fato do Rei do Hidrovácuo ser quase uma unanimidade no meio literário tehha afastado as críticas mais ferozes. Ou, talvez, tenha tocado num nervo exposto de muita gente. As pessoas não se furtaram a me xingar e a defender a Ana. Volto ao texto porque acho que não me fiz entender. Acreditava que era culpa dos meus argumentos toscos, mas a verdade é que “o inferno são os outros”. Vou ligar a tecla SAP para me fazer entender.
O que fiz questão de frisar é que tô cagando pra quem é homossexual da mesma forma que tenho sentimento semelhante a quem é heterossexual. Tentei dizer que isso é irrelevante para a moldagem do caráter de alguém, até porque as pessoas não são influenciadas pelo meio ou pelo ambiente familiar para fazer sua opção sexual. Simplesmente são. Fulano que beijar Sicrano? Isso não me diz respeito. Beltrana quer se deitar com a amiga, mande um vídeo para o e-mail no canto superior direito desse site.
Acreditava que ia abafar com as minhas palavras e as meninas achariam que por baixo desse aspecto rude e mal talhado existe alguém sincero e sensível (não sou nem um nem o outro, mas dizem que as chicas gostam de homens assim), no entanto o “E Daí?” suscitou comentários como o da Rosangela, que mui educadamente disse “RIDICULO É VC. QU Ñ SABE O QUE FAL SÓ SABE MESMO É FICAR POR AQUI JULGANDO AS PESSOAS!!! (…) SEU VRME…”. Pô, onde tá o julgamento no texto? Parafraseando o Ressaca Vladimir Cunha “eu não sou ninguém” para julgar e tenho certeza que não o fiz. Em contrapartida Thais Vargas, que também tem o péssimo hábito de escrever em caixa alta, foi certeira no que quis passar: “E FOSSE ELA BI, HOMO OU HETERO? NÃO COMPRAMOS O CD DELA PORQUE ELA FAZ SEXO COM MULHERES OU COM HOMENS”. Na mosca!
Suspeito que as interjeições raivosas têm origem no odioso politicamente correto, a primeira das trombetas que trarão o apocalipse. Foi o que pude pinçar do que Manoela quis dizer com “o objetivo da veja foi tentar despertar em pessoas com o pensamento retrogrado como o desse cidadão o fato de que a sociedade está mudando”. Mesmo com a frase com construção confusa creio que o “cidadão retrógrado” sou eu. Bom, já despertei (ui!) para isso há tempos. Quanto à mudança, a sociedade muda mesmo, mas hômicuômi sem virar lobisomem é do tempo do ronca e isso não é novidade pra ninguém.
Lauer, que não sei se é homem ou mulher – o que é irrelevante para essa discussão -, partiu para o óbvio na tentativa de xingar e foi o mais preconceituoso(a) de todos ao dizer “Porra que comentário sem graça o seu hein coisa, não percebe que temos que mostrar mesmo o que somos. E quem sabe vc também não é homossexual e tem vergonha de assumir?”. Por que deveria ter vergonha de assumir? Quis talvez me dar uma lição de moral, mas do jeito que se expressou parecia que queria rogar uma praga. Mas, uma coisa é certa, da mesma forma que nunca organizei uma Marcha Heterossexual não participaria de uma Parada Gay, mas isso é assunto para outra oportunidade.

Ainda deprimido por causa do aquecimento global, o cãozinho Rogério Flausino deu um tempo na tristeza. Ele posou com a fantasia “Perro no Jerimum”, com a qual arrasou no Baile dos Artistas de Mossoró (RN). O click sem preconceito é de Messias Jardan.

