Berlim – A sexta-feira 30 de junho de 2006 ficará marcada para sempre na história do esporte bretão. Dia para ser lembrado que o futebol feio, bobão e cara-de-melão derrotou a arte, habilidade e tango no pé. A Alemanha ganhou da Argentina por 4 a 2 nos pênaltis, depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal. Foi um placar tão injusto que nem fiquei impressionado ao ver boa parte da torcida germânica se sensibilizar com a derrota do futebol muito mais bacana dos sul-americanos. Não raro, os branquelos jogavam suas bandeiras no chão e gritavam em uníssono “Nicht für mich schreien Argentinien”.

Las mamacitas portenhas não mais serão vistas nos estádios europeus. “Mi hija sacudare esta bandera”, gritava Messias Jardan em seu espanhol sofrível enquanto fazia o click.
Para piorar, no final do jogo os teutônicos, não satisfeitos em terem frustrado a maior parte da torcida mundial, ainda partiram para a covardia. Xingaram, cuspiram e fizeram gestos obscenos em direção aos argentinos. Nossos irmãos platinos, polidos como são, não ligavam para as provocações. Porém, o meia Schweinsteiger (pronuncia-se Zeferino) mexeu com Las Madres de la Plaza de Mayo, o que se sabe não se faz. O capitão e cover da Maria Bethânia, Juan Pablo Sorín, deu o grito de ordem para que houvesse a defesa da honra nacional. Perderam na bola, mas ganharam no pescoção.
Jornalista e micro-empresário do ramo do Hidrovácuo há 39 anos, eu, Wilson Maria McNamara y Lampurdos Cremonese, nunca vi uma arbitragem tão tendenciosa quanto a do eslovaco Lubos Michel. Uma infâmia. Pelo menos três pênaltis não marcados para os platinos, sem falar da faltas desclassificantes feitas pelos alemães. A Copa do Mundo foi maculada. Para nós do Ressaca Moral perdeu a graça. Corre o risco do Brasil ganhar de novo e aumentar de vez a desigualdade na América do Sul.

Jogador alemão tenta beijar à força o argentino. Não fosse a atuação de Sorín o pior teria acontecido. O click sem homofobia é de Messias Jardan.