Archive for the ‘Wilson Cremonese’ Category

Em defesa das minorias

Thursday, August 17th, 2006

Garotos, garotos.

Não sou nem gosto dessa onda politicamente correta, mas tenho que dar o braço a torcer quando se trata da defesa das minorias. Humilhadas, tolhidas em seus direitos e vítimas de preconceitos, as pessoas que fazem parte de um nicho têm que conviver com uma série de situações inusitadas e com o cerceamento de seu comportamento. Quando tentam proteger seus direitos são taxados de tudo quanto é coisa ruim. Ninguém gosta delas. Particularmente faço parte de um grupo que, há anos, sofre com esse tipo de patrulhamento, o dos homens heterossexuais.

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O futebol ficou mais feio

Friday, June 30th, 2006

Berlim – A sexta-feira 30 de junho de 2006 ficará marcada para sempre na história do esporte bretão. Dia para ser lembrado que o futebol feio, bobão e cara-de-melão derrotou a arte, habilidade e tango no pé. A Alemanha ganhou da Argentina por 4 a 2 nos pênaltis, depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal. Foi um placar tão injusto que nem fiquei impressionado ao ver boa parte da torcida germânica se sensibilizar com a derrota do futebol muito mais bacana dos sul-americanos. Não raro, os branquelos jogavam suas bandeiras no chão e gritavam em uníssono “Nicht für mich schreien Argentinien”.

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Las mamacitas portenhas não mais serão vistas nos estádios europeus. “Mi hija sacudare esta bandera”, gritava Messias Jardan em seu espanhol sofrível enquanto fazia o click.

Para piorar, no final do jogo os teutônicos, não satisfeitos em terem frustrado a maior parte da torcida mundial, ainda partiram para a covardia. Xingaram, cuspiram e fizeram gestos obscenos em direção aos argentinos. Nossos irmãos platinos, polidos como são, não ligavam para as provocações. Porém, o meia Schweinsteiger (pronuncia-se Zeferino) mexeu com Las Madres de la Plaza de Mayo, o que se sabe não se faz. O capitão e cover da Maria Bethânia, Juan Pablo Sorín, deu o grito de ordem para que houvesse a defesa da honra nacional. Perderam na bola, mas ganharam no pescoção.

Jornalista e micro-empresário do ramo do Hidrovácuo há 39 anos, eu, Wilson Maria McNamara y Lampurdos Cremonese, nunca vi uma arbitragem tão tendenciosa quanto a do eslovaco Lubos Michel. Uma infâmia. Pelo menos três pênaltis não marcados para os platinos, sem falar da faltas desclassificantes feitas pelos alemães. A Copa do Mundo foi maculada. Para nós do Ressaca Moral perdeu a graça. Corre o risco do Brasil ganhar de novo e aumentar de vez a desigualdade na América do Sul.

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Jogador alemão tenta beijar à força o argentino. Não fosse a atuação de Sorín o pior teria acontecido. O click sem homofobia é de Messias Jardan.

Es la hora de la onza beber la agua

Wednesday, June 28th, 2006

Argentina.jpg Garota de Berlim (Nina Hagen) – Os maiores entendedores do futebol mundial voltam seus olhares para o estádio de Berlim às 21 horas (horário de Samoa Ocidental) dessa sexta-feira (30/06). Nesse exato momento a seleção fair-play da Argentina encara os pesadões da Alemanha. Como se sabe, os germanos são os donos da casa, dos estádios, das bolas e, tais quais meninos mimados, querem fazer valer dessa vantagem para intimidar os sul-americanos.

NÃO VÃO CONSEGUIR!

Brasileiros como somos vamos todos torcer pelos nosso vizinhos. Desde que o Ressaca Moral acampou a idéia de apoiar nossos irmãos mais elegantes e bons de bola os bons fluídos têm chegado em profusão a Tevez e companhia.

E tem mais, se os portenhos chegarem à final talvez seja contra a gente. Não seria ótimo? Brasil e Argentina na final com o clima amistoso que sempre permeou esses confrontos. É o clássico da fidalguia.

AVANTE ARGENTINA! VIVA EL PIDE D’ORO!

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Sempre à procura de um melhor ângulo o laureado retratista Messias Jardan mostrou mais uma faceta da beleza do futebol portenho.

Vaso ruim não quebra

Tuesday, June 6th, 2006

Ressaquinha (MG) – Desde que era moleque convivo com essa história de fim do mundo. Todo final de ano minha mãe nos vestia com a melhor roupa, levava a gente pra cortar o cabelo, pra se confessar, fazia uma muda com toda nossa bagagem e costurava uma etiqueta com o nome e os dizeres “Católico e batizado”. “Minino, se o mundo acabá seja educado com os hômi lá de cima viu!?”. Margarido, um dos meus primos que moravam com a gente e que era um piadista retrucava “E se a gente num for lá pra riba e sim pra baixo”. Mamãe se limitava a dar um pescoção. Como sempre ria eu levava um também. E haja reza.

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A Panóplia Delirante

Saturday, June 3rd, 2006

Garotos, garotos.

Não posso negar que o futebol é uma de minhas paixões e o Liberato de Castro é o maior time que já defendi. A bem da verdade foi o único. Em 1965 eu dividia meu tempo entre uma comunidade hippie-carateca e o juvenil do Bólido do Guamá. Nunca fui muito à frente no esporte bretão. Abandonei uma promissora carreira como beque-central porque o departamento médico do clube não possuía a técnica necessária para curar uma frieira crônica que tinha no pé esquerdo. De fato, não havia DM no clube, apenas o massagista Mariano Bloonfield III, o Bandalheira. No tempo em que passava em tratamento ele me contava as histórias do clube, em especial o do time de 1927, terceiro colocado no grupo H da segunda divisão do campeonato paraense. Foi o escrete que mais deu alegrias à imensa torcida do clube. Muito do sucesso daquela equipe se deve à voluntariedade dos jogadores e, principalmente, dos esquemas revolucionários do técnico Izidoro Singular, uma lenda.

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Pochete, eu uso

Monday, May 1st, 2006
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Ressaquinha (MG) – O número de adesões à campanha Eu Quero Voltar a Usar Pochete é surpreendente. Gente de todo o Brasil tem procurado as várias sucursais do Ressaca Moral no país e no exterior para manifestar o apoio a causa. Para nossa felicidade pessoas públicas, artistas principalmente, não têm se furtado a gritar para todo mundo ouvir que usam ou usaram pochete. Seja você também mais um a dar um tapa na cara da sociedade de consumo que tenta renegar esse tão precioso utensílio do vestuário masculino e mande para cá seu depoimento. Abaixo estão as bonitas palavras de algumas celebridades que ousaram não se calar. Os clicks são todos do não menos famoso Messias Jardan, o retratista pocheteiro.

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Casa, comida, roupa lavada, dois mil paus por mês e não se fala mais nisso

Thursday, March 30th, 2006

Garotos, garotos.

Recentemente li um texto no excelente site nominimo que tratava sobre casamentos e suas agruras. O ganho da matéria do jornalista Roberto Kaz, “As letras miúdas do casamento”, era o caso do casal estadunidense Travis e Ruth Frey. O figura formulou um documento in titulado “Contrato de expectativas quanto à esposa” antes de se unirem. Nele, entre outras coisas, ficava estipulado que “Ruth deveria raspar-se ‘de três em três dias’ (…) Determinava, também, o – digamos assim – ‘corte capilar’ que Ruth poderia utilizar: no formato retangular, ‘centrado sobre a abertura da vagina, cuja altura não lhe exceda em mais de ¾’, ou em qualquer formato, desde que ‘centrado sobre a abertura da vagina e cuja área não exceda a de um triângulo eqüilátero de altura equivalente a ¾ da abertura vaginal’”. Vai ser detalhista assim lá longe. Enquanto recomendava – e ainda o faço – a reportagem a amigos, fiquei matutando comigo mesmo o que incluiria num documento semelhante se fosse o caso do meu casamento.

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Era simplesmente um luxo

Monday, March 6th, 2006

Terra do Pé Junto – Morreu semana passada Athayde Patreze. Apresentador de TV e bom vivant, foi ele o responsável pela minha entrada no mundo das letras e das artes. Em 1994, seis anos depois de adquirir o mundialmente famoso microfone de ouro, entrevistou-me no não menos famoso Athayde Patreze Entrevista em uma reportagem sobre os bastidores do mundo do hidrovácuo. O resto é história.

Deixou esse plano para brilhar num outro. Espero que seus males sejam relevados no além. Tenho certeza que sim, pois era, como seu próprio bordão deixava claro, “Simplesmente um Luxo”. Como a morte só concerne aos que ficam, resta a saudade. Devia muito a ele, mas agora que tá comendo capim pela raiz eu não vou pagar nada.

Athayde também deixou como legado ao Ressaca Moral o fotógrafo anabolizado Messias Jardan. O retratista começou sua carreira ao lado do luxuoso homem de imprensa durante um evento no Iate-Clube de Mossoró, em 1986. Foi com o dinheiro de sua demissão que o retratista GlobeTrotter comprou sua Rollerflex 79 tunada.

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Athayde entra para a história e merece de todos um beijo no coração.
Emocionado, Messias Jardan não apareceu para trabalhar por três dias e mandou uma foto de seu arquivo pessoal.

Contos da Passagem Coelhinho: Fair-Play, futebol arte e umas bolinhas

Thursday, February 16th, 2006

Mal conseguia acreditar que tinha sido tão fácil. Saiu da farmácia depois de comprar três caixas de Revitam e não fora nem admoestado pelo farmacêutico. Ou era um simples balconista? Laurindo Mascarenhas, de nome pomposo, era conhecido como “Jacaré”. Técnico do Batalhadores da Matinha, equipe tradicional que não aceitava essa história de fair-play. Troféu de time mais disciplinado era insulto para o escrete.

No entanto, nos idos de 1969, não possuia uma formação das melhores. Havia se classificado heróicamente para a decisão do Torneio Gregório Mascarenhas, o mais importante da Passagem Coelhinho. A competição homenageava o herói local campeão paraense de porrada de 1917 (o campeão morreu no mesmo ano e, como segundo colocado, assumiu o título). Gregório vinha a ser tio de Jacaré, mais um motivo para o Batalhadores vencer o Gregorão.

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Contos da Passagem Coelhinho: o pai, o filho e as pernas do centroavante

Friday, February 10th, 2006

Lá onde moro, na Passagem Coelhinho, aconteceu uma situação meio estranha há uns seis meses atrás. Meu vizinho da direita, o pai de Hermes, desconfiava que o filho era afeminado demais. Dezoito anos e nunca teve uma namorada sequer. Sabedor disso e para não ter problemas com o pai, que o ameaçava deserdá-lo, combinou com Samira uma visita à família. Menina moça e sempre apaixonada por Hermes, ela não pensou duas vezes. Colocou a roupa de ir à missa aos domingos para fazer bonito.

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